Quando perdemos alguém que amamos, não é apenas a convivência que se vai. Vão-se também os pequenos hábitos, os planos compartilhados, as rotinas, as mensagens, os olhares, tudo aquilo que, com a presença dessa pessoa, dava forma e sentido ao nosso dia a dia.
Adaptar-se a uma perda envolve, na verdade, atravessar muitas perdas ao mesmo tempo.
Na Psicologia Comportamental, o luto pode ser compreendido como um processo de extinção: perdemos abruptamente diversas fontes de reforçadores (afeto, apoio, companhia, validação). E, além de lidar com a dor da ausência, precisamos aprender a viver em um mundo reorganizado.
Isso implica nos expor novamente à vida, buscar novos reforçadores, construir novos sentidos e significados. E todo esse movimento, pode, por si só, gerar ansiedade.
O luto não é apenas sobre quem se foi. É também sobre quem precisamos nos tornar para continuar.

